Aspectos Genéticos

O número normal de cromossomos presentes nas células de uma pessoa é 46 (ou 23 pares: 23 cromossomos provenientes do pai e 23 cromossomos provenientes da mãe). Nas pessoas com síndrome de Down, ao invés de 46 cromossomos, suas células apresentam 47 cromossomos (mais especificamente, três cópias do cromossomo de número 21 e duas cópias dos demais cromossomos). Daí veio o termo "trissomia do 21".

De forma geral, as trissomias são produzidas por vários tipos de erros na divisão celular. O mais comum é a chamada não-disjunção meiótica, em que durante a produção de espermatozóides ou de óvulos, um par de cromossomos não se separou. Disto resulta uma célula contendo ambos os membros de um determinado par de cromossomos e uma célula não contendo nenhum membro daquele par. Se, por ocasião da fertilização, a célula com o cromossomo adicional se fundir com uma célula normal (óvulo ou espermatozóide), a criança resultante terá três cromossomos daquele tipo em vez de apenas um par e será trissômica quanto àquele cromossomo.

A solicitação do estudo cromossômico é uma etapa essencial do diagnóstico da Síndrome de Down. Embora seja possível o diagnóstico clínico, o resultado do estudo cromossômico é essencial para o aconselhamento genético da família (estimativa dos riscos de repetição da síndrome em futuros filhos).

A análise cromossômica ou cariótipo pode ser realizada em cromossomos obtidos a partir de células nucleadas originadas de diferentes tecidos, submetidos a métodos de preparação citológica direta ou a técnicas de cultivo em laboratório. A escolha entre os diferentes tecidos (sangue periférico, sangue fetal, líquido amniótico, etc) depende da indicação clínica. O cariótipo é montado após pareamento dos cromossomos homólogos, de acordo com o tamanho e o padrão de bandas de cada par. Abaixo segue um exemplo do cariótipo feminino normal.

Há três tipos principais de anomalias cromossômicas que podem levar à síndrome de Down:

Trissomia simples:

A maior parte dos indivíduos (95%) com Síndrome de Down apresentam três cópias livres do cromossomo 21 (trissomia do 21) em suas células (ao invés das duas cópias esperadas). Veja o cariótipo abaixo:

Translocação:

Em aproximadamente 5% dos pacientes, uma cópia do cromossomo 21 é translocada para outro cromossomo (geralmente o de número 14, ou 21 ou 22). Isso quer dizer que um cromossomo 21 par fica "grudado" em outro cromossomo. Veja o exemplo abaixo, mostrando uma translocação entre os cromossomos 21 e 14.

O indivíduo portador desta anomalia cromossômica não apresentará síndrome de Down, pois embora ele tenha um cromossomo anormal (por ter partes fundidas de dois cromossomos diferentes), ele não tem excesso de material cromossômico.

Entretanto, este indivíduo tem grande chance de gerar, no futuro, crianças com Síndrome de Down. Isso porque seus descendentes poderão receber tanto o cromossomo anormal (translocado) dele quanto o seu cromossomo 21 normal, além do cromossomo 21 normal do outro progenitor, gerando assim um bebê trissômico para o cromossomo 21. Portanto, é importante salientar que no caso de uma criança com Síndrome de Down por translocação, os pais também devem submeter-se a um cariótipo, pois eles podem ser portadores da translocação e têm grandes chances de gerarem outro filho com Síndrome de Down.

Mosaicismo:

A alteração genética compromete apenas parte das células, ou seja, algumas células apresentam 47 cromossomos e outras 46 cromossomos (ocorre em cerca de 2 a 4% dos casos de Síndrome de Down). Os casos de mosaicismo podem originar-se da não-disjunção cromossômica nas primeiras divisões de um zigoto normal.

Na população geral, a freqüência da síndrome de Down é de cerca de 1 afetado para cada 650 a 1.000 recém-nascidos vivos. O risco de nascimento de uma criança com trissomia do 21 aumenta com a idade materna. Por exemplo, se uma mulher tem 30 anos, o risco de nascimento de um filho com síndrome de Down é de 1 afetado em cada 1.000 nascimentos; já se a mulher tiver 40 anos, o risco passa para 9 afetados em cada 1.000 nascimentos.

No entanto, como o número de mulheres jovens que têm filhos é muito maior que o de mulheres mais velhas, a maioria dos indivíduos Down com trissomia livre são filhos de mães jovens (com menos de 35 anos de idade).

Uma combinação de exame de sangue com ultra-sonografia pode ser capaz de diagnosticar a Síndrome de Down no feto durante o primeiro trimestre de gravidez. Geralmente, os exames que detectam a síndrome de Down são feitos no segundo trimestre gestacional.

Além do exame genético clássico, o diagnóstico pré-natal da síndrome de Down também pode ser feito por exames moleculares mais sofisticados que permitem diagnósticos mais rápidos, pois não há a necessidade de crescimento em culturas de células. As técnicas moleculares para o diagnóstico pré-natal podem ser realizadas em amostras de vilosidades coriônicas, líquido amniótico e em sangue do cordão umbilical. Abaixo um exemplo desse tipo de exame.

Núcleo interfásico de vilo corial - TRISSOMIA 21 (em vermelho os três cromossomos 21 e em verde dois cromossomos 13)

 

 

 

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